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Nanoexposição na UFES
Uma exposição coletiva que é gerada pelo simples convite feito por um
curador local convidado, na qual, pelas diversas edições e curadorias, vai
se acumulando uma inércia de participantes tipo ‘bola de neve’, é no mínimo
diferente daquilo que estamos acostumados a ver por aí. O termo curador,
entendo eu, não caberia neste caso, e seria melhor falarmos de “convidador”,
pois é o que realmente se faz. O “curador” convida aquele artista do seu
alcance imediático, da sua rede de inserção local ou, que ele entende que
seria interessante agregar ao evento. Porém, não submete a resposta visual
dos mesmos à sua crítica. Neste caso a obra vai para a galeria sem sofrer
qualquer consideração, e neste aspecto reside o caráter elástico, arriscado
e inovador da proposta da nanoexposição, sem falar na livre interpretação do
tema-convite que se realiza, uma vez que o artista faz abertamente e sem
qualquer paradigma limitador sua leitura do tema-desafio. Desta profusão de
leituras e da resposta individual de cada artista, resulta uma exposição que
se nivela pelo tamanho do formato pré-determinado e pelo pano de fundo da
nanodimensão. Uma exposição onde a ausência de um desejo de unificação é
reconhecível, e apenas uma noção de aposta aberta no descentramento, na
fragmentação e na diferença fica evidente. Uma constelação de diferenças,
uma proliferação de brotamentos rizomáticos cujo tronco original é o tema
que suscita o nanoespaço ou a nanodimensão. Resta a possibilidade divagativa
e a restrição técnica que temos para visualizar este mundo diminuto. O que
podemos considerar como resultado é o enriquecimento da experiência da arte,
viabilizado por uma estratégia de visualização e circulação, que leva um
conceito a ser literalmente dessecado e esgarçado pela ação das poéticas
individuais.
João Wesley
Vitória, ES
maio de 2006
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